Lista: Os 5 Melhores e os 5 Piores filmes de 007 – James Bond

AmoFilmes 29/10/2012 1

2012 é o ano do 50° aniversário de James Bond, o 007, no cinema. O personagem fictício criado por Ian Fleming na década de cinquenta, iniciou a carreira cinematográfica precisamente em 1962, personificado por Sean Connery (o James Bond preferido de 9 entre 10 pessoas) e assim seguiu por seis filmes. Durante a era Connery, um leve escorregão ocorreu, e a então face de Bond foi substituída pelo inexpressivo George Lazenby, num único filme, “007 A Serviço Secreto de Sua Majestade” (1969). Logo depois pôde ser propriamente substituído por Roger Moore, um James Bond menos durão e mais brincalhão, durante as décadas de 70 e 80. Justamente por sua época, os filmes da era Moore são conhecidos como os mais inverossímeis de toda a série, e os que possuem uma atmosfera mais, digamos, trash-cômica (quem não lembra da roupa / submarino crocodilo).

O fim da década de 80, e a idade de Moore, trouxeram Timothy Dalton, o Bond menos memorável de todos, que figurou apenas em dois filmes. A seguir Pierce Brosnan se tornou a recordação e referência de 007 para toda uma geração (como a minha – foi a partir da era Brosnan que pude assistir aos filmes do agente secreto no cinema pela primeira vez). Chegando ao mais truculento e musculoso James Bond do cinema até hoje, Daniel Craig, que chega agora a seu terceiro filme como 007. Em homenagem ao novo “007 – Operação Skyfall” e aos 50 anos de James Bond no cinema, aqui vai uma lista com os 5 melhores e 5 piores filmes do agente secreto mais famoso da sétima arte.

PIORES:

05. Quantum of Solace (2008) 

O maior problema desse então último filme da franquia é ter sucedido o excelente “Cassino Royale”. Após a entrada de Daniel Craig na série assumindo o papel de protagonista, e uma abordagem mais séria e realística (reflexo da fantasia exacerbada que estava se tornando a série, com carros invisíveis no último filme da era Brosnan), era esperado que a continuação de “Cassino Royale” seguisse pela mesma linha, ou seja, foco tanto em seus personagens (explorados como nunca) e em sua trama, quanto nas cenas de ação. Devido a problemas de greve em Hollywood, e problemas financeiros na MGM (distribuidora da série), “Quantum of Solace” tornou-se apenas um amontoado de cenas de ação (muito bem realizadas diga-se), onde não tínhamos tempo para respirar. Com o tempo de duração mais curto de toda a série, esse segundo filme da era Craig não conseguiu se empenhar em sua trama e personagens (que pareciam tirados de episódios fracos da era Moore ou Dalton), e o resultado foram vilões não memoráveis, mocinhas descartáveis atrás de vingança, e uma trama que parecia o que sobrou de “Cassino Royale”, uma grande decepção.

04. 007 Marcado para a Morte (1987) 

Depois de Roger Moore ter vivido o James Bond mais duradouro do cinema, em sete filmes, chegava a hora de eleger um novo intérprete. Timothy Dalton foi o eleito, somente para se tornar o 007 menos apreciado pelos fãs, que dificilmente lembram do ator na hora de eleger o seu Bond preferido. Realizando uma estreia tímida, Dalton aborda o personagem de uma forma mais séria, distante do humor pastelão que foi a era Moore. Ao mesmo tempo sem o carisma necessário que fazia de Bond um grande personagem, Dalton foi um 007 morno que não se adequava às personificações cimentadas anteriormente. O nível soturno era tanto, que sua segunda aventura na pele do agente secreto é tida como a mais violenta de toda a série (tiros dados à queima roupa em cadáveres, tubarões decepando pernas com mordidas de forma gráfica, e surras de chicote em mulheres), e a que recebeu a censura mais alta.

Porém, é justamente por isso que “Permissão para Matar” (1989) é um dos mais subestimados de toda a série. Por outro lado foi em sua apresentação como Bond, num filme rotineiro com vilões dispensáveis, uma trama reciclada, e uma mocinha (uma única) que era a combinação perfeita da ingenuidade incrível com uma sensualidade inexistente, que Dalton entregou um dos filmes mais sem gás de toda a série. Basta dizer que o medo da Aids, forte presença da época, afastou a libido incontrolável de Bond comumente encontrada em toda a série, desse filme mundano.

03. Os Diamantes São Eternos (1971)

Após ter deixado a série para um pit stop rápido, dando lugar a Lazenby, o grande Sean Connery retorna para recobrar seu lugar como o James Bond definitivo, ou quase. Na verdade, o ator volta de forma descontente sem muito da chamada alegria de performance, para viver (agora sim) sua última aventura como o agente secreto, bom pelo menos dentro da franquia oficial (Connery estrelaria anos depois “Nunca Mais Outra Vez” em 1983). Já aparentando certa idade, o ator estava com 41 anos, e como dito nenhuma empolgação, o escocês entrega sua atuação mais automática de toda a série. Com um ritmo que iria predizer o tom dos filmes da era Moore, 007 envolve-se numa trama sem muito brilho em Las Vegas. O principal vilão (Charles Gray) assim como a bondgirl (Jill St. John) não chamam a atenção. É somente a equivocada caricatura de um casal de assassinos homossexuais que ganha destaque no filme pela estranheza.

02. Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (1967) 

Já mostrando imenso desgaste, a imagem de Sean Connery como James Bond não rendia mais o prestígio de seus filmes iniciais. Com esse quinto filme na pele do agente secreto, mesmo antes de ter deixado e depois voltado para a franquia, Connery já se mostrava insatisfeito pela repetição do personagem, e desejava alçar novos voos em sua carreira. O maior problema aqui, porém, é que “Só se Vive Duas Vezes” é uma obra extremamente enfadonha. Bond viaja para o Japão e isso parece tudo o que o filme deseja ser, uma viagem para a terra do oriente. O espião treina com ninjas, e inclusive se disfarça de japonês (uma das piores situações já criadas para a série). Akiko Wakabayashi é tida como a pior bondgirl da série por muitos, e os únicos pontos altos aqui são o design de um grande laboratório e quartel general do vilão Blofeld dentro de um vulcão, e a revelação do mesmo personagem, ou de sua face na pele de Donald Pleasence, que já vinha figurando como o misterioso e invisível chefe de uma grande organização terrorista mencionada desde o primeiro filme.

01. 007 Contra o Foguete da Morte (1979)

 

Não importa o quanto você não goste de Timothy Dalton ou Pierce Brosnan como 007. Não importa o quão insignificante você ache que a incursão de George Lazeny em “007 A Serviço Secreto de Sua Majestade” foi para a franquia. “O Foguete da Morte” é indiscutivelmente o pior filme da série. Retrato da era mais cômica da franquia, Roger Moore (não poderia ser outro) é o protagonista dessa obra farofeira que tenta descaradamente pegar carona no sucesso criado pela ficção científica de matinê “Star Wars”. Extremamente popular na época, a cria de George Lucas teve grande influência nessa produção, que joga o agente secreto no espaço, com direito a roupa de astronauta e armas de raio laser. Com sua dignidade por um fio, James Bond chegava literalmente ao fundo do poço e precisava urgentemente de uma reformulação. Antes sair da Terra (sim, você leu certo, James Bond vai ao espaço travar uma batalha), 007 chega ao nosso país, e no Rio de Janeiro curte o carnaval, ao mesmo tempo em que enfrenta o caricato vilão Jaws (aquele dos dentes de aço) nos bondinhos do Pão de Açúcar.

MELHORES:

05. O Espião que me Amava (1977) 

Se “O Foguete da Morte” é indiscutivelmente o pior filme de James Bond, “O Espião que me Amava” por outro lado é indiscutivelmente o melhor filme da era Roger Moore. As décadas de 70 e 80 serviram como pano de fundo para as aventuras protagonizadas pelo Bond mais duradouro (pelo menos oficialmente) da série, o que refletiu numa era de puro escapismo e quase nenhum compromisso com a seriedade e realismo. Mesmo com todas as improbabilidades como um vilão de dentes de metal ou um automóvel transformado em submarino, esse “pulo de fé” é facilmente dado pelos fãs quando a obra nos apresenta um dos relacionamentos mais satisfatórios, criativos e bem explorados de toda a série. No auge do terror da Guerra Fria, James Bond apaixona-se por uma linda agente secreta soviética interpretada pela sensual Barbara Bach. A personagem também conhecida como Triplo X (com mais cabelo e mais bonita que Vin Diesel) deseja apenas vingar-se da morte de seu companheiro, também um agente de seu país. Essa era a primeira vez que a série introduzia uma personagem feminina verdadeiramente forte, que poderia ficar de igual para igual com o protagonista.

04. O Amanhã Nunca Morre (1997)

Pierce Brosnan pode não ser considerado o melhor Bond da história, ou nem ao menos o segundo melhor, mas seus filmes como o agente 007 são alguns dos mais divertidos de toda a franquia, e Brosnan pode ser considerado o ator cuja era guarda apenas filmes indispensáveis. “O Amanhã Nunca Morre” é o melhor desse lote, e eleva o jogo a um novo nível. Para começar continua o que havia sido explorado em “O Espião que me Amava” criando uma agente secreta de um país rival com quem James Bond precisa lidar, trabalhar junto, e com quem eventualmente acaba se envolvendo. Ela é personificada por Michelle Yeoh, uma chinesa especialista em artes marciais, que chamou tanta atenção na época, que foi anunciado um filme spin off para a personagem. O mesmo voltaria a acontecer anos depois (no último filme de Brosnan no papel) com Halle Berry que interpretou a americana Jinx. O destino cruel da outra bondgirl do filme, vivida por Teri Hatcher  (a esposa do vilão) pode ter ocorrido devido a um relacionamento ruim entre a atriz e os responsáveis pelo filme, mas sem dúvidas serviu para a história.

Mas o grande chamariz da obra é o vilão encarnado por Jonathan Pryce, o megalomaníaco Elliot Carver. O barão da mídia é um dos melhores e mais criativos antagonistas de toda a série, um sujeito que só se importa com sua audiência, e que moderniza o estereotipo do vilão que deseja controlar o mundo dos filmes iniciais, afinal não existe maneira mais realística e atual de controle global do que o megaempresário que controla as notícias.

03. Moscou Contra 007 (1963)

Mesmo que o primeiro filme de 007, “Dr. No”, seja considerado pela maioria das pessoas um dos melhores filmes da franquia, é seguro dizer que o filme seguinte conseguiu elevar as apostas. Mais um suspense de espionagem, em alguns momentos semelhantes aos filmes de Alfred Hitchcock, do que um filme de ação como se tornou posteriormente, “Moscou Contra 007” possui uma trama e personagens mais bem explorados, assim como continua de forma satisfatória tudo o que havia sido criado anteriormente para o personagem. Dessa vez ao invés de cientistas loucos em bases submarinas, ganhamos um assassino profissional, muito mais realístico, no encalço do agente contratado para matá-lo, e o clímax do duelo acontece dentro do Expresso do Oriente. Todos os personagens são mais críveis aqui, assim como o filme possui uma trama mais interessante e mais bem explorada em relação ao primeiro. A bondgirl é uma simples secretária colocada no meio de uma disputa de países e não uma caçadora de biquíni armada de faca numa ilha. Espiões em trens, conflitos entre nações, o auge da Guerra Fria, assassinos contratados, e cenas de perseguições envolvendo pequenos aviões, “Moscou contra 007” é o mais próximo de um filme do mestre Hitchcock de toda a série.

 

02. Goldfinger (1964) 

Esse é outro unânime. “007 Contra Goldfinger” é o melhor filme da era Connery, e para muitos o melhor filme da franquia. A verdade é que a partir desse filme o fenômeno 007 foi realmente sentido. Enquanto os dois filmes anteriores eram incursões relativamente modestas no universo criado por Ian Fleming, “Goldfinger” trouxe grande visibilidade para a série, e a febre estava espalhada pelo mundo, com direito a produtos que apelavam inclusive às crianças, como lancheiras, álbuns de figurinhas e bonecos. As imagens de James Bond e os personagens do filme tomavam conta do mundo, e 007 finalmente se tornava um notório item da cultura pop. O que viria a seguir é história. Mas “Goldfinger” obviamente possui seus méritos, e estabeleceu tudo o que viraria regra a partir dali, como grandes vilões memoráveis e seus capangas, bugigangas tecnológicas, etc.. Na trama, o megalomaníaco (o que mais) Auric Goldfinger deseja destruir o ouro do Fort Knox para que o seu seja valorizado. A cena emblemática de uma bondgirl morta por asfixia, já que seu corpo foi inteiramente coberto por ouro, foi reprisada em “Quantum Of Solace”, onde a personagem da bela Gemma Arterton, a agente Fields (originalmente Strawberry Fields, referência a uma música dos Beatles, coisa da qual felizmente desistiram), é assassinada ao ter o corpo mergulhado em petróleo.

01. Cassino Royale (2006) 

Sacrilégio como possa parecer para alguns, esse é o meu filme preferido de James Bond. Não me levem a mal, a série inteira certamente guarda um lugar especial dentro de todos nós fãs, e por mais nostálgicos e incomparáveis que os filmes originais sejam, “Cassino Royale” conseguiu seguir com a série para um caminho não apresentado anteriormente, extremamente satisfatório. Realizado sob um ângulo mais realístico, talvez influenciado pelos filmes de Jason Bourne (que por sua vez talvez tenham sido influenciados pelo próprio Bond) , “Cassino Royale” tinha a proposta de reiniciar a série após o último filme da era Brosnan ter atingido altos níveis de situações irrealistas (como Bond surfando ondas gigantes, carros invisíveis, castelos de gelo, e satélites que atiram grandes raios de calor). Utilizando o primeiro livro de Fleming como base, “Cassino Royale” assumiu o risco com um James Bond mais truculento, não muito sofisticado, e de certa forma ingênuo em sua primeira missão. Sem as bugigangas surreais de costume, e com as melhores cenas de ação da série, a obra ainda conseguia ter em seus 144 minutos (o filme de maior duração da franquia), personagens muito bem explorados, vilões humanos, cenas eletrizantes, e provavelmente uma das melhores bondgirls jamais criadas, na pele da bela Eva Green. Tudo isso sem jogar fora totalmente os elementos que fazem dessa franquia a mais duradoura que o cinema já viu.

Por Pablo Bazarello

Pablo Bazazarello é publicitário e crítico de cinema. Além de colaborar com o AmoFilmes, Pablo escreve críticas para o seu ótimo blog, Pablo & os Filmes, além de colaborar com sites como CinePop, Kritz e Obvious.

 

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Um Comentário »

  1. Amo Filmes (@amo_filmes) 29/10/2012 at 14:02 - Reply

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